Exportar em PDF · Aula 04
44 slides + worksheet + prova + dever de casa
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MEP · FAE Centro Universitário · Prof. Ricardo Macedo
Campo: Descoberta de Cliente
Aula 04 · 4h · 44 slides
Entregável: roteiro de entrevista + metas de campo (nº de entrevistas por aluno)

Innovation & Entrepreneurship
Módulo de Modelo de Negócio, Marca e Validação. Campo: Descoberta de Cliente. Prof. Ricardo Macedo — Agosto a Outubro de 2026.

A persona validada
O dever era validar a persona conversando com 3 pessoas reais. O que mudou na persona depois dessas conversas?
Da aula passada
Persona não é público-alvo.
O mapa de empatia revela o que a persona pensa e sente de verdade.
Escolher quem não atender também é estratégia.
Hoje, a persona vira conversa de verdade
Vocês já sabem quem é a persona. Hoje aprendem a conversar com ela sem induzir respostas — a habilidade mais importante do módulo inteiro.
Sem prova hoje, mas com role-play
Hoje não tem prova rápida. Mas tem uma oficina com role-play entre times — quem escrever um roteiro fraco vai sentir isso na prática, na frente da turma.
Hoje: descoberta de cliente
Por que as pessoas mentem por educação.
Pergunte sobre o passado, não sobre o futuro.
Estrutura da conversa: aquecer, passado, aprofundar, indicação.
Oficina: roteiro + role-play.
Já perguntaram a alguém "você compraria isso?" e a pessoa disse sim — mas nunca comprou?
"Sim, eu compraria"
"aqui está meu cartão" são respostas completamente diferentes
A primeira não custa nada dizer. A segunda é a única que importa.

Por que as pessoas mentem por educação
A resposta mais educada quase nunca é a mais verdadeira.
Ele esperava no caixa até alguém comprar o produto
Scott Cook, fundador da Intuit, esperava na loja até um cliente comprar o software — e pedia para acompanhá-lo até em casa, só para observar como ele realmente usava o produto, sem perguntar nada.
As pessoas mentem por educação
Quando alguém pergunta diretamente "você compraria isso?", a resposta tende a ser gentil, não sincera. Ninguém quer parecer grosseiro com quem está do outro lado perguntando.
Genchi genbutsu
suposição
Escritório
genchi genbutsu
vá e veja com os próprios olhos
observação real
Campo
Por que a gentileza atrapalha a pesquisa
A pessoa entrevistada quer ser útil e agradável. Isso a leva a concordar, elogiar e amenizar — não a mentir por malícia, mas por educação.
Customer development: saia do prédio
Customer
Discovery
Como o professor conduz conversas de descoberta
Antes de propor qualquer solução para um cliente, a Annexo evita perguntar "você gostaria de uma marca mais moderna?". Pergunta certo, sobre decisões reais já tomadas no passado.


Perguntar direto se a pessoa compraria
"Você usaria um app assim?" é a pergunta mais fácil de fazer e a mais inútil de responder. Quase todo mundo diz sim, por educação, e quase ninguém compra depois.
Alguma pergunta do roteiro do time ainda soa como "você gostaria de..."?

Pergunte sobre o passado, não sobre o futuro
Ninguém sabe prever o próprio comportamento futuro. Todo mundo lembra o que já fez.
190 mil pessoas preferiram — e a Coca-Cola quase afundou mesmo assim
Em 1985, a Coca-Cola testou uma fórmula mais doce com milhares de pessoas, e a maioria preferiu o novo sabor num teste às cegas. Nunca perguntaram como cada um se sentiria se a fórmula clássica desaparecesse de vez. O lançamento foi um desastre.
Passado, não futuro
Perguntar "você usaria isso?" pede uma previsão, e previsão é sempre otimista. Perguntar "quando foi a última vez que você teve esse problema, e o que você fez?" pede um fato.
Viés de otimismo hipotético
Fenômeno estudado em pesquisa de comportamento: pessoas superestimam sistematicamente o que fariam numa situação hipotética, comparado ao que realmente fazem quando ela acontece de verdade.
Perguntas que buscam o passado
"Me conta a última vez que isso aconteceu." "O que você fez para resolver?" "Quanto isso te custou, em tempo ou dinheiro?" — fatos, não opiniões.
Perguntas que buscam o futuro (e por que evitar)
"Você pagaria por uma solução assim?" "Você usaria com que frequência?" — todo mundo responde bem sobre um futuro imaginado. Ninguém erra para ser educado.
Uma pergunta que a Annexo aprendeu a não fazer mais
A Annexo já perguntou a clientes se investiriam mais em marca no ano seguinte. Quase todos disseram que sim. Poucos investiram. Hoje a pergunta é: quanto foi investido em marca no último ano, e onde?


Aceitar "eu compraria" como validação
"Eu compraria" é uma previsão sobre um futuro imaginado, não um compromisso. A única resposta que conta como validação real envolve dinheiro ou tempo já gasto no passado.
As perguntas do roteiro do time pedem uma previsão do futuro, ou um fato do passado?

Intervalo
15 minutos
Estrutura da conversa
Aquecer
“quem é você, o que você faz”
A pergunta do time…
Passado
“me conta a última vez que…”
A pergunta do time…
Aprofundar
“por quê? como assim?”
A pergunta do time…
Indicação
“quem mais você conhece que vive isso?”
A pergunta do time…
Entrar na casa de alguém sem vender nada
Desde os anos 1970, a IKEA visita casas ao redor do mundo para entender como as pessoas realmente vivem. A conversa segue uma ordem: quem é essa pessoa, como é a rotina dela, o que a frustra — e termina perguntando o que mais poderia ajudar.
Estrutura da conversa
Aquecer
“quem é você, o que você faz”
A pergunta do time…
Passado
“me conta a última vez que…”
A pergunta do time…
Aprofundar
“por quê? como assim?”
A pergunta do time…
Indicação
“quem mais você conhece que vive isso?”
A pergunta do time…
Por que seguir uma estrutura fixa
Sem estrutura, a conversa vira bate-papo e perde o rumo, ou vira interrogatório e afasta a pessoa. A estrutura existe para manter a conversa natural e ainda assim produtiva.
Aquecer e puxar o passado
Comece leve, sem falar do problema de cara — quem é a pessoa, o que ela faz. Só depois puxe o passado: "me conta a última vez que...".
Aprofundar e fechar com indicação
Aprofunde com "por quê" e "como assim". Feche sempre perguntando: "quem mais você conhece que vive isso?" — é assim que uma conversa vira três.
O fechamento que a Annexo nunca pula
Toda reunião de descoberta da Annexo termina com a mesma pergunta: "quem mais na empresa sente esse problema?". É assim que uma conversa vira um mapeamento completo do cliente.


Pular direto para o problema
Começar a entrevista já perguntando sobre o problema, sem aquecer, deixa a pessoa na defensiva. E terminar sem pedir indicação desperdiça a chance de triplicar as conversas de graça.
O roteiro do time tem as 4 etapas — aquecer, passado, aprofundar, indicação — ou pula direto para o meio?

O cliente vai destruir sua ideia favorita.

Ouvir o que não se quer ouvir
Em algum momento das entrevistas, alguém vai dizer, sem rodeios, que o problema escolhido não é assim tão grave, ou que a solução imaginada não resolve nada. Isso dói. E significa que o sistema está funcionando.

O que o time vai fazer quando isso acontecer — defender a ideia, ou ouvir o dado?
Montar o roteiro de entrevista
Aquecer
“quem é você, o que você faz”
Passado
“me conta a última vez que…”
Aprofundar
“por quê? como assim?”
Indicação
“quem mais você conhece que vive isso?”
Role-play entre times
- 1Troquem de time.
- 2Um aplica o roteiro no outro, fingindo ser a persona construída na Aula 3.
- 3Quem responde tenta identificar perguntas que soam como "você gostaria de...".
Ajustar o roteiro com o que aprenderam
Aquecer
“quem é você, o que você faz”
Passado
“me conta a última vez que…”
Aprofundar
“por quê? como assim?”
Indicação
“quem mais você conhece que vive isso?”
Cada time, uma pergunta do roteiro em voz alta
Compartilhem uma pergunta que o time tem orgulho de ter escrito, e uma que o role-play revelou ser fraca.

O que fica de hoje
Hoje vocês aprenderam: as pessoas mentem por educação; pergunte sobre o passado, não sobre o futuro; toda conversa de descoberta tem 4 etapas, terminando em indicação.
Até a próxima aula: cada aluno conduz 3 entrevistas reais.
Worksheet
- 01Escrevam as 4 etapas do roteiro do time: aquecimento, passado, aprofundamento, indicação.
- 02Qual pergunta do roteiro corre o risco de soar como "você gostaria de..."? Como reescrevê-la para buscar o passado?
- 03No role-play, qual pergunta funcionou melhor, e qual foi mais fraca?
- 04Quantas entrevistas cada integrante do time vai conduzir até a próxima aula?
- 05Com quem (perfil, não nome) vocês vão conversar?
- 06Qual é a meta de campo do time: quantas conversas no total até a Aula 5?
- 07O que o time vai fazer se um entrevistado disser que o problema não é tão grave assim?
Prova
Não há prova na Aula 4. P2 ocorre na Aula 5 (proposta de valor).
Dever de casa
Cada aluno conduz 3 entrevistas reais usando o roteiro ajustado, sempre buscando o passado, nunca o futuro hipotético. Anotar as respostas literalmente, sem resumir ou interpretar ainda. Trazer as anotações para a Aula 5.